Como aumentar em R$ 200 o resultado por hectare de uma fazenda de pecuária?

Você sabia que existem mais de 300 indicadores que influenciam o resultado econômico e financeiro de uma fazenda de pecuária de corte? Se a propriedade tiver integração com lavoura em seu sistema, então, o número salta para até 400 indicadores. O instituto Inttegra, que realiza anualmente o estudo de benchmarking, que compara resultados de propriedades de todo o Brasil […]

Você sabia que existem mais de 300 indicadores que influenciam o resultado econômico e financeiro de uma fazenda de pecuária de corte? Se a propriedade tiver integração com lavoura em seu sistema, então, o número salta para até 400 indicadores.

O instituto Inttegra, que realiza anualmente o estudo de benchmarking, que compara resultados de propriedades de todo o Brasil e da América Latina e aponta o que fazem de diferente aquelas que mais ganham dinheiro, identificou que, de todos esses índices, quatro deles podem explicar até 70% do resultado da fazenda.

Desembolso por cabeça/mês, que é quanto a fazenda gasta por cabeça por mês. Então é tudo que sai do caixa dividido pelo rebanho e dividido por 12 meses e eu tenho desembolso/cabeça/mês. O segundo é ganho médio diário global, que é o ganho de todos os animais da fazenda, dos mais jovens aos mais velhos, considerando matrizes e todas as categorias de animais, você tem o ganho médio global. Além desses dois indicadores, eu tenho o terceiro, que é valor de venda, quanto foi vendida a arroba ou o quilo do animal. E, por último, eu tenho lotação, medida em UA por hectare. Então eu tenho esses quatro indicadores que, juntos, explicam 70% do resultado de uma fazenda”, apontou Antônio Chaker, zootecnista mestre em produção animal e diretor do Inttegra.

O consultor explicou em edição do quadro Dicas do Chaker que a relevância desses indicadores varia conforme o sistema produtivo: cria, ciclo completo ou recria e engorda.

“Quando você analisa uma fazenda de cria, seja esse ano ou seja na história desse monitoramento nosso, que são oito safras, que o elemento econômico que mais explica o resultado de uma fazenda de cria é o desembolso por cabeça ao mês. Eu tenho um elevado impacto do meu desembolso/cabeça/mês. No caso da cria, se eu consigo gastar menos, gastar bem, tem uma tendência muito grande para o resultado”, explicou. Na sequência, o ganho médio diário global é o segundo indicador que mais influencia o resultado de uma fazenda de cria, seguido por valor de venda, em terceiro lugar, e lotação em quarto lugar.

No ciclo completo, a lógica é a mesma: desembolso por cabeça ao mês em primeiro, GMD global em segundo, valor de venda em terceiro e lotação por último.

Já na recria e engorda, a sequência é alterada. “Para a engorda, eu tenho o ganho médio diário praticamente com a mesma importância do desembolso por cabeça ao mês, ou seja, o efeito do ganho médio diário impacta o resultado de uma fazenda praticamente do mesmo tamanho que o desembolso quando você analisa esse comportamento. E que, ao longo das safras, nem sempre as maiores lotações foram positivas. Como o ganho médio diário é muito importante para as fazendas de engorda, se a fazenda tiver muito gado, mas ganhando pouco peso, você passa a não ter resultado. Tanto que, ao longo das safras, nem sempre a lotação interferiu positivamente”, explanou.

Nessas propriedades de recria e engorda, depois do GMD global, o resultado foi impactado por desembolso por cabeça ao mês, lotação e, por último, valor de venda. “Isso mostra para você, da engorda, que ganhar mais peso e gastar direito impacta mais do que por quanto você está vendendo o seu animal”, indicou.

Chaker sintetizou o quadro de análise de resultado econômico de um fazenda de pecuária de corte e deu dicas para quem tem uma meta de aumentar em R$ 200,00 por hectare o desempenho financeiro da fazenda.

“Para eu aumentar em R$ 200,00 o resultado por hectare, eu tenho que me esforçar para economizar R$ 7,53 por cabeça ao mês, […] ou preciso aumentar 39 gramas por cabeça ao dia, […] ou aumentar a lotação em 0,8 UA/ha ou ainda vender a arroba R$ 11,00 mais caro. Agora eu pergunto para você: o que é mais fácil – aumentar a lotação em 0,8 UA/ha, vender a arroba R$ 11,00 mais caro, gastar R$ 7,53 a menos por cabeça ao mês ou fazer de tudo para ganhar 39 gramas a mais por dia? Então fica claro que é pensar de manhã, tarde e a noite em GMD global, que é ele que vai te puxar para frente. Vamos equilibrar os demais indicadores, que são muito importantes, mas é o GMD global que está na sua mão”, concluiu.