Melhoramento genético de bovinos ½ sangue taurino x ½ sangue zebuino no brasil

Uma nova técnica vem sendo implantada no ramo do mercado cárneo brasileiro com a função de melhorar e fornecer crescimento ao país, que transforma a carne em um produto de alta qualidade para exportação. Objetivou-se com este trabalho demonstrar os meios de melhoramento para o rebanho de corte e o ganho econômico com que a técnica propicia ao produtor. O melhoramento genético que ocorre no cruzamento de bovinos 1⁄2 sangue taurino com 1⁄2 sangue zebuínos mantém uma alta heterose e retorno econômico. É utilizado pelos pecuaristas que procuram nichos de mercado e associativismo econômico, que fortaleça e valorize seu produto. Palavras chave: Heterose, associativismo econômico, cruzamento.

INTRODUÇÃO

O Brasil é o segundo maior produtor de carne bovina e está entre os maiores exportadores mundiais desse produto, entretanto vê-se que ainda não é competitivo em relação aos demais países pela falha em investimentos no manejo sanitário, nutricional, reprodutivo, sociocultural, ambiental e genético do rebanho (BACCI, 2003; PEREIRA, 2008; BATTISTELLI, 2012). O sistema de produção precisa ser aperfeiçoado e novos cruzamentos são realizados para que a qualidade genética do rebanho seja sinônimo de excelência. O cruzamento é utilizado no Brasil para se conseguir rapidez nas características esperadas para determinado tipo de rebanho e produzir animais adaptáveis ao clima da região sendo este um grande desafio em relação ao ambiente, em vista que o País tem distribuição geográfica e clima diferenciado em várias regiões e grande extensão territorial. Espera- se que os bovinos produzidos de cruzamentos simples deem origem aos produtos F1, meio 1⁄2 zebuínos x 1⁄2 taurinos, com alta produção, maior qualidade da carne com superioridade nas características organolépticas e em menor tempo, a fim de gerar alto retorno econômico (EUCLIDES FILHO et al., 2002; SOUZA Jr. et al., 2008).

Raça Zebuína

Segundo Battistelli (2012) bovinos zebuínos da subespécie Bos taurus indicus, constituem a maior parte do rebanho nacional com mais de 165 milhões entre bovinos de corte e leite criados em sistema extensivo, sendo atualmente a base do sistema de produção de carne no país. Raças zebuínas como o Nelore e os seus mestiços representam 60% á 50% ou 210 milhões de cabeças do rebanho de corte brasileiro. O zebuíno é caracterizado por sua rusticidade e adaptabilidade, elevada longevidade reprodutiva, alta capacidade de aproveitar alimentos grosseiros, e resistência às variadas condições de pastagens e a parasitoses. Sua adaptabilidade ao clima tropical típico dos trópicos nacionais é devido a sua resistência ao calor, caracterizada pela sua proporção de superfície corporal maior em relação ao peso corporal, possuindo o mesmo número de glândulas sudoríparas, porém maiores e mais eficientes na sudorese. Por fim possuem o trato digestivo 10% menor em relação ao europeu isso faz com que seu metabolismo seja mais baixo e gere menor quantidade de calor (EUCLIDES FILHO et al., 2002). Segundo Koger (1990), Touros e vacas desta raça são longevos como reprodutores e matrizes por apresentarem além da adaptabilidade, bons índices reprodutivos. Reprodutores desta raça detêm de instinto forte para proteção de seu rebanho de matrizes, trabalham bem à campo, e sua utilização é facilmente realizada pela monta natural. As matrizes possuem características naturais excelentes que facilitam o parto, sua garupa tem boa angulosidade, boa abertura pélvica e oferecem ao bezerro boas condições de desenvolvimento até o desmame, por possuírem boa habilidade materna, instinto de proteção ao bezerro, rusticidade e baixo custo de manutenção, por isso são considerados instrumentos importantes no sistema de cruzamento industrial (CRV LAGOA, 2001; BATTISTELLI, 2012). Em 2011, foram comercializadas 3,2 milhões de doses de sêmen de reprodutores da raça Nelore, cerca de 46% do mercado de doses para corte. Todavia, quando comparados aos cruzados com raças taurinas, apresentam inferioridade no desempenho produtivo com baixos índices reprodutivos e propriedades organolépticas da carne com menor maciez (TORRES Jr., 2007; BATTISTELLI, 2012).

Raça Taurina

Bovinos taurinos pertencem ao grupo da subespécie Bos taurus taurus, sendo de origem europeia. Entre as principais raças desta classe o Aberdeen Angus, Red Angus, o Hereford e o Simental, possuem afinidade por baixas temperaturas e pastagens de maior valor nutritivo. São criados em sistemas mais adaptados às suas necessidades, tanto nutricionais quanto de controle de endo e ecto parasitas. Já os taurinos adaptados como o Caracu que possuem altos níveis de adaptação ao nosso ambiente, devido a sua história na colonização da América do Sul, foram trazidos para função de serem animais de tração e com isso sofreram seleção natural e artificial ao clima tropical de nossa região. Os animais da raça Senepol e Bonsmara têm estas mesmas habilidades devidas à BATTISTELLI, 2012).

Atualmente os taurinos tem sido utilizados pelos criadores brasileiros em cruzamento industrial ou entre raças, com bovinos zebu. Essa técnica objetiva o aumento no ganho de heterose (ganho genético decorrente de combinação de características extremas entre as raças) e complementaridade das características esperadas para desenvolver a produção de uma carne mais nobre em ambientes mais rústicos, gerando ótimos resultados.

A raça taurina mais utilizada para cruzamento é a Angus, com 85% do total de sêmen comercializados entre as raças taurinas, devido ao fato de serem superiores quanto à taxa de crescimento e responderem melhor as condições de alimentação, sendo indicados para sistemas intensivos sob pastejo, suplementação e uso de confinamento além de sua superioridade em qualidade de carne (ROSO e FRIES, 2000; ABIEC, 2011). A necessidade da utilização da técnica de inseminação artificial para cruzamento com as raças europeias, com enfoque para a bovinocultura de corte, é de extrema importância, porque touros desta raça têm baixa adaptabilidade e seu uso na monta natural em sistemas mais extensivos de cria é inviável. Isso é um fator negativo, pois apenas 10% do rebanho das matrizes são inseminadas artificialmente. Para esta limitação, a saída tem sido utilizar raças taurinas adaptadas (Caracu, Senepol e o Bonsmara) que durante sua formação adquiriram adaptação suficiente ao ambiente para serem utilizados na monta natural. O resultado são animais cruzados com 50% de genes taurinos com altos níveis de heterose e adaptação ao ambiente (ROSO e FRIES, 2000; EUCLIDES FILHO et al., 2001; BATTISTELLI, 2012). MEIOS DE MELHORAMENTO GENÉTICO ANIMAL

 

 

Artigo Completo:Melhoramento genético de bovinos ½ sangue taurino x ½ sangue zebuino no brasil

Fonte: REVISTA CIENTÍFICA DE MEDICINA VETERINÁRIA-ISSN:1679-7353