Mão de obra no campo: Clélia Pacheco

Mão de obra no campo: fazenda não é fábrica e gado não é máquina, precisam de talento e conhecimento muito específicos [Clélia Pacheco] O BeefPoint lançou seu prêmio mais importante do ano para reconhecer e celebrar quem faz a diferença na pecuária de corte brasileira. Nosso trabalho é focado em 3 pilares: conhecimento, relacionamento e inspiração. Tudo […]

Mão de obra no campo: fazenda não é fábrica e gado não é máquina, precisam de talento e conhecimento muito específicos [Clélia Pacheco]

BeefPoint lançou seu prêmio mais importante do ano para reconhecer e celebrar quem faz a diferença na pecuária de corte brasileira.

Nosso trabalho é focado em 3 pilares: conhecimento, relacionamento e inspiração. Tudo isso com foco em uma pecuária mais moderna, lucrativa e eficiente. Realizar um prêmio que seja uma festa e uma homenagem a essas pessoas especiais da pecuária de corte é a melhor maneira que encontramos para trazer inspiração a todos os envolvidos na cadeia da carne. Celebrar e destacar os bons exemplos é o caminho que encontramos e por isso estamos fazendo o Prêmio BeefPoint Brasil 2013.

A premiação ocorreu durante nosso maior evento de 2013, o BeefSummit Brasil, que reuniu mais de 1.000 pessoas em Ribeirão Preto, SP, nos dias 10 e 11 de dezembro de 2013.

A cerimônia de entrega dos prêmios e divulgação dos ganhadores foi no final do dia 10 de dezembro, após as palestras e antes do coquetel com Chopp Pinguim e degustação de carnes especiais.

Para conhecer melhor os finalistas de cada categoria, o BeefPoint preparou uma série de entrevistas com cada um deles.

Confira abaixo a entrevista com Clélia Pacheco, uma das finalistas do Prêmio BeefPoint Brasil, na categoria Produtora – Mulher destaque na pecuária.

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Formada em psicologia e herdeira da Fazenda Santa Silvéria, no qual descobriu o gosto pelo trabalho e pela produção na terra. Nessa época, vinte e três anos atrás dirigiu toda a atenção para viabilizar a fazenda. A Santa Silvéria era uma fazenda de café e estava migrando para a pecuária.

Desde o início percebeu que com o tamanho (1240 ha) e a localização em Piratininga  à 18 km de Bauru, seria difícil ter a remuneração adequada com a cria convencional. Assim, viu no cruzamento industrial uma saída. Experimentou alguns cruzamentos com ótimos resultados, sendo que a heterose não podia mais ser desprezada na pecuária moderna.

E foi na criação de gado Bonsmara e seleção genética que viu a possibilidade de fazer seu negócio girar, fornecendo genética de ponta para quem quer fazer cruzamento industrial para carne de qualidade, com gado adaptado.

BeefPoint: Qual o maior desafio da pecuária de corte do Brasil hoje?

Clélia Pacheco: Tenho duas preocupações, custos, que parece que é geral, todos tem, e mão de obra no campo.

Quem serão os novos peões? Com relação aos custos, tem muita gente competente trabalhando nisso. Agora com relação a mão de obra me preocupa, fazenda não é fábrica e gado não é máquina, precisa de talento e conhecimento muito específicos.

BeefPoint: O que o setor poderia, deveria fazer para aumentar sua competitividade no Brasil?

Clélia Pacheco: Sanidade e pesquisa. Além de produzir a carne que o mercado quer, macia e saborosa e com garantia de procedência.

BeefPoint: Você poderia nos contar sobre os acertos? O que fez e deu certo em sua carreira? Qual a sua maior realização?

Clélia Pacheco: Acreditar em  qualidade, tecnologia, e investir em pessoas que fazem a diferença. Encontrei a vocação da Santa Silvéria. Cada fazenda é uma, e cada proprietário é único. Na minha região hoje predominam a cana, eucalipto e laranja. Tudo tocado por grandes empresas. Olho com muito orgulho de ter sobrevivido a essa maré.

Escolhi trabalhar com produção de touros, fazer um trabalho artesanal, onde os detalhes fazem a diferença,  associado a um processo de alta tecnologia genética. Nossa produção é a pasto, temos um confinamento estratégico para seca. Plantamos soja o que permite melhorar a qualidade do solo.

BeefPoint: Todos sabemos que aprendemos mais com nossos erros. O que fez e deu errado? Você poderia nos contar?

Clélia Pacheco: Mudanças muito rápidas e radicais. Reverter um processo e reconfigurar uma estratégia, quando se trata de trabalhar com a natureza não é fácil. Tive algumas surpresas, querendo passar na frente do tempo.

Flexibilidade e agilidade são fundamentais para nos adaptarmos e estarmos prontos para uma possível mudança de rumo.

BeefPoint: O que você fez em 2013 que te trouxe mais resultados?

Clélia Pacheco: Ter direcionado a fazenda apenas para seleção genética.

BeefPoint: O que você pretende fazer em 2014? Quais são seus planos?

Clélia Pacheco: 2014 é o ano da perseverança na qualidade. Devemos continuar acreditando que os consumidores estão cada vez mais sofisticados, com um leque de referências cada vez maior e que vender carne como commodity não é para o meu tamanho. Existe um mercado em crescimento que vai exigir uma carne que não se produz em escala industrial. É para atender a esse público que a Santa Silveria está se preparando. Vender genética para quem vai produzir carne de qualidade.

BeefPoint: Em sua opinião, o que deve ser feito para aumentar o envolvimento dos jovens na agropecuária?

Clélia Pacheco: Não se trata só dos jovens. A pecuária é uma atividade que foi, durante muitos anos, aviltada. Ela se entregou a uma situação de exagerada  concentração e consolidação. Esse modelo faz óbvias concessões à qualidade e portanto atrai menos criatividade e capacidade de inovação. Meu negócio rema com sucesso em sentido contrário e quanto mais exemplos desses ganharem relevância, melhor será a capacidade de atração do negócio na agropecuária, inclusive para os jovens.

BeefPoint: Qual o exemplo de pecuarista do futuro do Brasil hoje? Quem você admira por fazer um excelente trabalho?

Clélia Pacheco: A pecuária é uma atividade peculiar, com fazendas de soluções muito particulares. Que quando replicados tal e qual não são receita de sucesso garantido. Mas essa variedade de inspirações é o que me atrai no negócio. Gosto de olhar para as que estão inovando em gestão de pessoas.

BeefPoint: Por que você acha que foi finalista do Prêmio BeefPoint Brasil?

Clélia Pacheco: Fiquei contente de fazer parte desse grupo exclusivo de pessoas que admiro. Minha tenacidade e fé são sem dúvida os fatores do sucesso do meu empreendimento. Tenho a pretensão de achar que isso me trouxe até aqui e já me sinto honrada com essa indicação.

BeefPoint: Que mensagem você deixaria para os pecuaristas?

Clélia Pacheco: Acreditar que na busca pela qualidade e recompensa. A receita do sucesso é investir em inovação, acreditar em pessoas e não acreditar em soluções imediatas e padronizadas.

Por que Bonsmara?

"O aspecto mais importante da criação de gado de corte é sua adaptação a um ambiente específico."

- Prof. Jan Bonsma

Saiba mais sobre a raça Bonsmara e por que ela pode mudar a realidade de sua fazenda.

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